Com a implantação de fazendas de gado e cultura em solo Brasileiro, muitas vezes, ou quase sempre, sacerdotes do culto Africano chegavam trazidos como escravos pelos navios de contrabandistas, que ganhavam a vida destruindo a de outros, vindos de tão longe e com a missão dada por Oxalá de divulgar sua Religião, engrandecendo outras terras com sua sabedoria e bondade.
Entre estes chegava então um jovem que estava predestinado a ensinar amor e sabedoria; inda menino foi introduzido no trabalho árduo e sem trégua; por sua bondade e sabedoria logo cativou a todos, até mesmo seus senhores, que percebendo sua condição de tratar com animais feridos ou doentes, solicitavam sempre seus serviços, logo estando este, que seria um sacerdote em sua terra, curando e tratando pessoas a pedido de seus senhores. Era ele então tratado diferente em meio a tanta crueldade. Todos eram socorridos por Pai Preto, como era chamado pelos brancos.
A fama de Pai Preto correu longe em solo brasileiro, tanto que chegou sem tardar ao conhecimento dos missionários vindos para catequizar os povos da nova terra. Pai Preto tinha então 85 anos, já velho e quase não mais conseguia andar, o que não impedia de continuar com suas curas e benzeduras. Mas chegou a ordem e a orientação: Pai Preto era ``feiticeiro´´ e deveria morrer como todos de sua época.
Os seus antigos senhores não tiveram coragem de cumprir a missão, e então combinaram de esconder Pai Preto, e este ficaria assim até à morte, cuidando, é claro, dos interesses de seus senhores. Mas Pai Preto, que nunca soube dizer não ou se intimidar por qualquer perigo, não se deteve e continuou com suas mirongas, suas rezas e sua caridade sem fim. Logo a notícia correu, seria um fantasma ou quem sabe ele teria ressuscitado para desafiar quem manda
Nova ordem chegou então: o ``feiticeiro´´ deveria ser desenterrado e sua cabeça arrancada do corpo e enterrada em outro local. Somente assim o ``mal´´ deixaria de existir. Aqueles que tentaram esconder Pai Preto agora com medo, decidiram matá-lo e cumprir o que lhes foi ordenado, tendo assim, aos 86 anos, Pai Preto deixado o plano físico para trabalhar com suas mirongas em planos mais elevados.
Hoje, nós que aprendemos a amar a Umbanda com toda sua sabedoria, aprendemos sempre um pouco com aqueles que deixaram essa grande lição de vida e humildade. Pai Preto é hoje para nós, Pai Jeremias do Cruzeiro, que ao lado de Omulu, traz a cura para os sofredores dos dois planos. Pai Jeremias recebeu de Oxossi o direito de trabalhar em sua vibração, o que para nós só é motivo de mais felicidade, pois como raizeiro e conhecedor das matas, levou para o plano espiritual este conhecimento para a bênção dos filhos da terra.
Salve Pai Jeremias
Salve todos os Pretos Velhos

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