quinta-feira, 27 de julho de 2017

N A N Ã


A mais velha divindade do panteão, associada às águas paradas, à lama dos pântanos, ao lodo do fundo dos rios e dos mares. O único Orixá que não reconheceu a soberania de Ogum por ser o dono dos metais. É tanto reverenciada como sendo a divindade da vida, como da morte. Seu símbolo é um feixe de ramos de folha de palmeira com a ponta curvada e enfeitado com búzios.

Nanã é a chuva e a garoa. O banho de chuva é uma lavagem do corpo no seu elemento, uma limpeza de grande força, uma homenagem a este grande Orixá.

Nanã Buriquê representa a junção daquilo que foi criado por Deus. Ela é o ponto de contato da terra com as águas, a separação entre o que já existia, a água da terra por mando de Deus, sendo portanto também sua criação simultânea a da criação do mundo.

1. Com a junção da água e a terra, surgiu o Barro
2. Barro com o Sopro Divino representa Movimento
3. O Movimento adquire Estrutura
4. Do Movimento e Estrutura surgiu a criação, O Homem.

Portanto, para alguns, Nanã é a Divindade Suprema que junto com Zambi fez parte da criação, sendo ela responsável pelo elemento Barro, que deu forma ao primeiro homem e de todos os seres viventes da terra, e da continuação da existência humana e também da morte, passando por uma transmutação para que se transforme continuamente e nada se perca.

Esta é uma figura muito controvertida do panteão africano. Ora perigosa e vingativa, ora praticamente desprovida de seus maiores poderes, relegada a um segundo plano amargo e sofrido, principalmente ressentido.

Orixá que também rege a Justiça, Nanã não tolera traição, indiscrição, nem roubo. Por ser Orixá muito discreto e gostar de se esconder, suas filhas podem ter um caráter completamente diferente do dela. Por exemplo, ninguém desconfiará que uma dengosa e vaidosa aparente filha de Oxum seria uma filha de Nanã ``escondida´´.

Nanã faz o caminho inverso da mãe da água doce. É ela quem reconduz ao terreno do astral, as almas dos que Oxum colocou no mundo real. É a deusa do reino da morte, sua guardiã, quem possibilita o acesso a esse território do desconhecido.

A senhora do reino da morte é, como elemento, a terra fofa, que recebe os cadáveres, os acalenta e esquenta, numa repetição do ventre, da vida intra-uterina. É, por isso, cercada de muitos mistérios no culto e tratada pelos praticantes da Umbanda e do Candomblé, com menos familiaridade que os Orixás mais extrovertidos como Ogum e Xangô, por exemplo.

Muitos são, portanto, os mistérios que Nanã esconde, pois nela entram os mortos e através dela são modificados para poderem nascer novamente. Só através da morte é que poderá acontecer para cada um a nova encarnação, para novo nascimento, a vivência de um novo destino - e a responsável por esse período é justamente Nanã. Ela é considerada pelas comunidades da Umbanda e do Candomblé, como uma figura austera, justiceira e absolutamente incapaz de uma brincadeira ou então de alguma forma de explosão emocional. Por isso está sempre presente como testemunha fidedigna das lendas. Jurar por Nanã, por parte de alguém do culto, implica um compromisso muito sério e inquebrantável, pois o Orixá exige de seus filhos-de-santo e de quem a invoca em geral, sempre a mesma relação austera que mantém com o mundo.

Nanã forma par com Obaluaiê. E enquanto ela atua na decantação emocional e no adormecimento do espírito que irá encarnar, ele atua na passagem do plano espiritual para o material (encarnação).

Nossa amada mãe Nanã, envolve o espírito que irá reencarnar em uma irradiação única, que dilui todos os acúmulos energéticos, assim como adormece sua memória, preparando-o para uma novo vida na carne, onde não se lembrará de nada do que já vivenciou. É por isso que Nanã é associada à senilidade, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na sua vida carnal.

Portanto, um dos campos de atuação de Nanã é a ``memória´´ dos seres. E se Oxóssi aguça o raciocínio, ela adormece os conhecimentos do espírito para que eles não interfiram com o destino traçado para toda uma encarnação.

Esta grande Orixá, mãe e avó, é protetora dos homens e criaturas idosas, padroeira da família, tem o domínio sobre as enchentes, as chuvas, bem como o lodo produzido por essas águas. Quando dança no Candomblé, ela faz com os braços como se estivesse embalando uma criança.


ORIGEM


Nanã é um Orixá feminino de origem daomeana, que foi incorporado há séculos pela mitologia iorubá, quando o povo nagô conquistou o povo do Daomé (atual República do Benin), assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.
Primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omolu (Ou Obaluaiê) e Oxumarê.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

UMBANDA PÉ NO CHÃO



Todo umbandista já deve ter ouvido a frase ``Umbanda é pé no chão´´. Mas será que todos sabem o porque de ficarmos descalços em nossos terreiros? 

São três motivos principais.

O primeiro é que o solo representa a morada dos nossos antepassados e quando estamos descalços tocando com os pés no chão, estamos entrando em contato com estes ancestrais e, consequentemente, com todo o conhecimento e a sabedoria que esse passado guarda.

O segundo motivo pelo qual tiramos os calçados, é o respeito ao solo sagrado do terreiro. Imagine que vir da rua com os sapatos sujos e entrar com eles onde nossos trabalhos espirituais são realizados, seria como alguém entrar em nossa casa carregando uma montanha de lixo que vai caindo e se espalhando por todos os cantos.
Diante desta situação, você diria o que? No mínimo que essa tal pessoa não tem respeito por você ou pela sua casa.

O terceiro motivo é o fato de que naturalmente nós atuamos como ``para-raios´´ e ao recebermos qualquer energia mais forte, se estivermos descalços, sem nenhum material isolante entre nosso corpo e o chão,  ela automaticamente se dissipa no solo. 

É uma forma de garantir a segurança do médium para que não acumule ou  leve determinadas energias consigo. Além de tudo isso, podemos dizer também que realizar nossos trabalhos espirituais descalços, é uma forma de representar a humildade e a simplicidade do Rito Umbandista.

Vale lembrar que, no início, este costume nos cultos de origem africana, tinha outro significado.
Os pés descalços eram um símbolo da condição de escravo, de coisa, uma vez que o escravo não era considerado um cidadão e estava, por exemplo, na mesma categoria do gado bovino das fazendas. 

Quando liberto,  a primeira coisa que o negro procurava fazer, era comprar sapatos, que eram o símbolo de sua liberdade e, de certa forma, faziam com que ele fosse incluso na sociedade formal.

O significado da ``conquista´´ dos sapatos era tão profundo que muitas vezes eles eram colocados em lugar de destaque na casa, para que todos os vissem.

No entanto, ao chegar ao terreiro, espaço que havia sido transformado magísticamente em solo africano, os sapatos tornavam-se novamente apenas um símbolo de valores da sociedade branca e eram deixados do lado de fora.

Ali os negros sentiam-se de novo na África e podiam retornar à sua condição de guerreiros, sacerdotes, príncipes, caçadores, etc.

Tenho certeza que agora, entrar descalço no terreiro, terá um outro valor e sentido. 
Não é mesmo? 

Fonte: Frat. Esp. Mons. Horta  

domingo, 23 de julho de 2017

VAMOS LEVAR AS PLANTAS PARA DENTRO DE CASA

 


Sempre falamos da importância dos banhos de ervas e das defumações, sempre falamos da importância do contato com a natureza, no entanto poucas vezes falamos ou pensamos em levá-las para dentro de nossas casas onde agem de forma expressiva, filtrando as energias, potencializando as boas vibrações, encantando o ambiente, envolvendo as pessoas e adoçando nossas emoções.

É isso mesmo! Manter um vaso de erva, flor ou qualquer outra planta dentro de casa ou ao redor de nós, só nos beneficia e nos envolve com uma energia viva ímpar. Portanto, seguem algumas dicas de Máximo Ghirello, fitoterapeuta, para que nos inspiremos neste contato com as plantas.

Vale a pena ressaltar dois pontos:
1 - Se as plantas, flores ou ervas estão colocadas em vasos com água, deve-se trocar essa água pelo menos ``dia sim - dia não´´, afinal a água pode ficar concentrada de energias saturadas e, como a água é naturalmente condutora, pode conduzir essa energia saturada para todo o ambiente.
2 - O vaso mais indicado é o de barro (principalmente quando fica dentro de casa ou para plantas consideradas de limpeza) pois, como a terra, ele transmuta qualquer energia.

Espiritualidade: erva-doce, camomila, melissa e coentro devem ser cultivados nessa área, que favorece o autoconhecimento e as descobertas espirituais. Associado à direção nordeste, é regido pelo elemento terra, que atua sobre estômago, baço e pâncreas, que em desequilíbrio podem causar preocupação excessiva e idéias fixas.

Família e Saúde: dente-de-leão, boldo, carqueja e artemisia, entram na área da família, que trata da união familiar e da saúde dos moradores. A direção é leste e o elemento madeira, relacionado ao fígado, que tem forte influência nos estados emocionais. Quando em desequilíbrio, provoca mau humor, irritação e raiva constantes.

Trabalho: Cavalinha, salsa, babosa e capuchinha fortalecem a área que diz respeito ao bom fluxo da rotina e da carreira. A direção norte é associada ao elemento água e aos órgãos que controlam os líquidos no organismo, isto é, rins e bexiga. Em desequilíbrio, podem afetar as emoções, causando medo e indecisão.

Prosperidade: para ativar a abundância material e espiritual, cultive várias espécies de manjericão na direção sudeste. Essa planta simboliza a fartura, pois cresce rápida e ereta. O elemento madeira rege essa área e o fígado, do qual dependem nossa disposição e nosso bom humor.

Sucesso: sálvia, passiflora, hamamélis e malva são as ervas relacionadas a essa área e à direção sul. Essas plantas equilibram verborragia, excesso de pensamentos e depressão, comportamentos relacionados ao elemento fogo. A área do Sucesso, que diz respeito a todas as nossas realizações, está ligada ao coração e ao intestino delgado, e essas ervas ajudam a manter a circulação e a digestão bem equilibradas.

Relacionamentos: capim-limão, louro, erva-doce e alfazema são as ervas mais adequadas à direção sudoeste e à área que trata das relações afetivas. Os órgãos correspondentes são estômago e pâncreas, associados ao elemento terra e ao excesso de preocupações. Evite deixar nessa direção plantas com espinhos, pontas ou com acúmulo de folhas secas.

Criatividade: alecrim, manjericão, cravo, guaco, hortelã e menta, correspondem à direção oeste. O elemento metal, que está ligado a essa área da fertilidade física e mental, é associado ao pulmão e ao intestino grosso. As ervas indicadas atuam contra tristeza, gripes e problemas respiratórios, além de aliviar cólicas e má digestão. Também abrem caminhos para as mudanças.

Amigos: orégano, manjerona, tomilho e segurelha, são as ervas medicinais da direção noroeste, que ativam o bom relacionamento com amigos, auxiliares e também viagens. Regida pelo elemento metal, essa área atua nos problemas do pulmão e alivia a mágoa e a depressão. A segurelha é indicada para bronquite e problemas respiratórios. Tomilho para gripes, tosses e resfriados e orégano para má digestão e falta de apetite.

Aproveitando o tema, vejam algumas plantas indicadas pela NASA  para purificar o ar:

Filodendro: Uma das plantas de sala mais comuns e também a melhor para filtrar as toxinas dos espaços fechados. Conhecida como hera de sala, o filodendro, com folha em forma de coração, tolera diversas condições. Mantenha-o num vaso com terra normal ligeiramente úmida. Deve ser colocado em zona iluminada, protegida da luz direta do sol, com temperaturas quentes e umidade reduzida.

Pau-d´água:  Também conhecida como planta do milho, esta planta cresce lentamente e é caracterizada por faixas amarelas no centro das folhas. Ao longo do ano, pode dar frutos e flores discretos. Mantenha-a em temperaturas moderadas a quentes e afastada da luz solar direta. Deve ser plantada em terra normal e regada muitas vezes para que esteja sempre molhada ou úmida.

Hera: Também conhecida como hera das canárias, tem folhas escuras e enervadas. Embora sem flor, as videiras trepadeiras da hera podem ajustar-se para formar topiarias ou caírem em cascata por cima de potes. Muito eficaz na filtragem do ar de espaços fechados, mas também muito susceptível a pesticidas. Sobrevive melhor ao ar livre. Necessita de ar fresco e da brilhante luz solar. Também deve ser mantida em temperaturas frescas para moderadas em terra úmida, no vaso ou no jardim.

Lírio-da-Paz: É distinguido pela sua flor branca, de forma oval, que rodeia um cacho branco. As folhas verdes escuras podem ter mais de 30 cm de comprimento, e a altura total situa-se entre os 30 cm e 1,2 metros. Crescem melhor sob luz indireta e entre temperaturas moderadas e quentes. Terra úmida, mas não em demasia. Permitir que a água em excesso seja drenada do solo umedecido.

Espada de São Jorge: Herbácea de resistência extrema, excelente para jardins de baixa manutenção. No entanto, seu crescimento é um pouco lento. Suas folhas são muito ornamentais e podem se apresentar de coloração verde acinzentada e variegadas, com margens de coloração branco-amareladas, todas com estriações de uma tonalidade mais escura. As flores brancas não tem importância ornamental, É uma planta de utilização bastante tradicional e a cultura popular recomenta como excelente protetor espiritual.

Agora é só colocar a mão na terra e aproveitar!

sábado, 22 de julho de 2017

MAMÃE OXUM




Oxum é um Orixá feminino da nação Ijexá, adotada e cultuada em todas as religiões afro-brasileiras.

É o Orixá das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza.

Em Oxum, os fiéis buscam auxílio para a solução de problemas no amor, uma vez que ela é a responsável pelas uniões, e também na vida financeira, a que se deve sua denominação de "Senhora do Ouro", que outrora era do Cobre, por ser o metal mais valioso da época.

Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais. Oxum é símbolo da sensibilidade e muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar em alguém, característica que se transfere a seus filhos, identificados por chorões.

Senhora da fertilidade e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi, que tem semelhanças com Oxum.

Oxum é a padroeira da gestação e da fecundidade, recebendo as preces das mulheres que desejam ter filhos e protegendo-as durante a gravidez. Protege, também as crianças pequenas, até que comecem a falar, sendo carinhosamente chamada de Mamãe por seus devotos.

Seus filhos e filhas são doces, sentimentais, agem mais com o coração do que com a razão e são muito chorões. Também são extremamente vaidosos e conquistadores, adoram o luxo, a vida social, além de sempre estarem namorando.

Veste azul e dourado, cor do ouro. Usa um abebé e um ofá dourados. É a mãe de Logunedé, orixá menino que compartilha dos seus axés. Ambos dançam ao som do ritmo ijexá, toque que recebe o nome de sua região de origem. Usa um abebé (espelho de metal) nas mãos, uma alfange (adaga) por ser guerreira, e um ofá (arco e flecha) dourado, por sua ligação com Oxóssi. É uma das mais jovens.

Caminha com Oya Onira, com quem muitas vezes é confundida.

Diferente das outras Oxuns por ter enredo com muitos Orixás, vem acompanhada de Oyá e Ogum.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A HISTÓRIA DA UMBANDA





No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos.
Esses "ataques" do rapaz, eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado, que mostrava conhecer muitas coisas da natureza.

Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.

Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.

Tomado por uma força estranha e alheia à sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.

O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o "seu atraso espiritual" e convidando-os a se retirarem.

Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou:  -  "Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa de suas origens sociais e da cor ?"

Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: - "Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?

-  "Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados."

- "O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro."

Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:

- "Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”

O vidente retrucou: - "Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?´´  perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse:

- "Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei".

Para finalizar o caboclo completou:

- "Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?"

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Às 20:00 hs, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social.

A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20h00 às 22h00; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.

Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou à parte prática dos trabalhos.

O caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que haviam neste local, praticando suas curas.

Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras:

"-  Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá."

Após insistência dos presentes fala:

"- Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá doi nego."

Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:

"- Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca."

Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antonio".

No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém, era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele.
Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. "- Não os aceite. Devolva-os!", ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda. O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

A Umbanda é isso: simplicidade, doação, Amor.
Amor ao próximo, Amor à vida, Amor a Jesus!
Saravá!!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

ELA FAZ O QUE NINGUÉM SABE FAZER



Arreda homem que aí vem Mulher ...
Arreda homem que aí vem Mulher ...

Esse pequeno trecho do ponto que tão comumente cantamos em nossos terreiros, é um dos mais significativos e expressivos quando penso em Pombagira.

Todos nós já ouvimos e lemos muitos textos sobre Exu e suas qualidades tão ativas e duais, no entanto, pouco falamos de Pombagira e pior, quase sempre quando ouvimos falar dessas Entidades de Luz, a referência é com a prostituição, desejo, sexo, amarração, separação ou ainda, com a desgraça emocional e familiar.

Seria muito interessante e importante para todos nós se, quando pensássemos em Pombagira, pensássemos no arquétipo Mulher. Afinal, além dela ser pura expressão do feminino, ela também atua e ativa a pura essência do feminino, seja nos homens ou nas mulheres.

Falando sobre o arquétipo Mulher, que é fundamental em todas as religiões historicamente firmadas, entende-se por arquétipos as tendências estruturais invisíveis dos símbolos e que criam imagens específicas. Já o sentido ``Mulher´´ refere-se ao princípio feminino que está ligado à sensibilidade, à criatividade, à lua, ao ciclo, à capacidade de viver o tempo com ritmo diferente, de receber, de acolher, de enfeitar, de proteger, de lutar pelo bem amado e a capacidade de se transformar em onça, leoa e materna.

Esse princípio ainda estimula nos seres humanos o lado espiritual e a busca pelo encontro do sentido religioso, fato constatado quando percebemos a quantidade de mulheres nas instituições religiosas. Além disso, não podemos deixar de refletir sobre o contexto de liberdade, de comunidade e de força de expressão que os espaços religiosos permitem. Nesse sentido, Nancy Cardoso Pereira, em seu livro: Malditas, Gozosas e Devotas - Mulher e Religião (1996), afirma: ``É no campo das expressões religiosas que as mulheres encontram espaços para a resistência e sobrevivência´´.

Com essa linha de raciocínio conseguiremos afirmar o quanto as Pombagiras são importantes e fundamentais para nós e para a própria estrutura da Umbanda.

Elas mexem com nossas emoções, elas geram em nós todos esses princípios femininos e ainda quebram o paradigma patriarcal instituído em nossa sociedade por alguns povos e religiões milenares como o judaísmo e o catolicismo.

O medo, o desconforto, a maledicência sobre as Pombagiras, deve-se ao fato de elas atuarem nas partes ocultas e nas questões oprimidas da mulher; a exemplo, temos o desejo, que ainda é um grande tabu para a maioria das pessoas, principalmente para os homens e para os mais tradicionalistas. Para muitos, ``ter desejo´´ é proibido e o fato é que as Pombagiras moram na casa dos desejos, entenda desejo tudo aquilo que realmente desejamos.
Elas estão ligadas ao belo, ao que seduz e àquela que se apaixona, ao mesmo tempo remete ao que se deve ser evitado.

A própria figura da Pombagira assume toda a sensualidade subversiva e agressiva da sexualidade feminina, em contraste com a idéia do feminino passivo e submisso, tão enfatizado por algumas tradições, fato refletido nas suas imagens, onde na maioria das vezes são representadas por mulheres seminuas, enquanto as imagens das santas católicas estão sempre bem cobertas (vestidas) e com semblante amenizador.

É referência como propiciadora de abertura de caminhos, da renovação, da vida e da liberdade. E na sua condição de libertina, ou de quem é livre para ir e vir, fala o que pensa e o que quer, ela se comanda.
É estímulo, alegria, beleza, poder e movimento, o qual alimenta seu ``cavalo´´ e seus adoradores.

Manifestam-se tanto na lavadeira como na advogada - condições sociais para Elas não é importante; manifestam-se em mulheres fora dos padrões de beleza ditados pela sociedade e ainda assim, exercem sobre os homens um estimulante fascínio e sobre as mulheres a auto-estima; manifestam-se nos Terreiros e rompem com quaisquer diferenças, pois são ``apenas´´ Pombagiras.

A Pombagira está relacionada a tudo que é feminino, adora jóias, perfumes, batom, ouro, rosas, principalmente as vermelhas, por ser a cor da paixão, do calor, do fogo. Gosta de cigarrilha e champanhe, pois traduz estímulo e alegria.
Como princípio feminino é considerada por muitos um ``EXU FEMININO´´, mesmo porque na África, local de origem dos Orixás, na tradição banto, o nome Exu é Bongbogirá, o que nos leva a deduzir que o termo pombagira é uma corruptela de Bongbogirá. E como princípio feminino, atua de forma muito diferente do princípio masculino Exu.

Ela mexe com aquilo que Exu não consegue mexer.
Ela transforma aquilo que o vigor masculino de Exu não modifica.
Ela cria aquilo que o mando de Exu não consegue estabelecer.
Ela fala aquilo que Exu não consegue dizer.
Ela dá aquilo que todos querem, mas que ninguém é dono.
Ela faz sorrir de uma forma que homem nenhum entende.
Ela faz viver aquela mulher que toda mulher quer ser e que todo homem quer ter.
Ela é POMBAGIRA e é melhor arredar o pé, homem, 
pois aí vem MULHER ...


Fonte: monsenhorhorta.blogspot.com

YEMANJA



Deusa da nação de Egbé, nação esta Iorubá onde existe o rio Yemojá (Yemanjá). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás Iorubanos, enquanto a maternidade dos Orixás Daomeanos é atribuída a Nanã. Por isso à ela também pertence a fecundidade. É protetora dos pescadores e jangadeiros. 

Comparada com as outras divindades do panteão africano, Yemanjá é uma figura extremamente simples. Ela é uma das figuras mais conhecidas nos cultos brasileiros, com o nome sempre bem divulgado pela imprensa, pois suas festas anuais sempre movimentam um grande número de iniciados e simpatizantes, tanto da Umbanda como do Candomblé. 

Pelo sincretismo, porém, muita água rolou. Os jesuítas portugueses, tentando forçar a aculturação dos africanos e a aceitação, por parte deles, dos rituais e mitos católicos, procuraram fazer casamentos entre santos cristãos e Orixás africanos, buscando pontos em comum nos mitos. 

Para Yemanjá foi reservado o lugar de Nossa Senhora, sendo, então, artificialmente mais importante que as outras divindades femininas, o que foi assimilado em parte por muitos ramos da Umbanda. 

Mesmo assim, não se nega o fato de sua popularidade ser imensa, não só por tudo isso, mas pelo caráter, de tolerância, aceitação e carinho. É uma das rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas provocadas pelo choro da mãe que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes; e o mar, sua morada, local onde costuma receber os presentes e oferendas dos devotos. 

São extremamente concorridas suas festas. É tradicional no Rio de Janeiro, em Santos (litoral de São Paulo) e nas praias de Porto Alegre a oferta ao mar de presentes a este Orixá, atirados à morada da deusa, tanto na data específica de suas festas, como na passagem do ano. São comuns no reveillon as tendas de Umbanda na praia, onde acontecem rituais e iniciados incorporam caboclos e pretos-velhos, atendendo a qualquer pessoa que se interesse. 

Apesar dos preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum como Yemanjá à função da maternidade, pode estabelecer-se uma boa distinção entre esse conceitos. As duas Orixás não rivalizam (Yemanjá praticamente não rivaliza com ninguém, enquanto Oxum é famosa por suas pendências amorosas que a colocaram contra Iansã e Obá). Cada uma domina a maternidade num momento diferente.

A majestade dos mares, senhora dos oceanos, sereia sagrada, Yemanjá é a rainha das águas salgadas, regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também de Deusa das Pérolas, é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento de nascimento. 

Numa Casa de Santo, Yemanjá atua dando sentido ao grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e dependência; proporcionando sentimento de irmão para irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também o sentimento de pai para filho ou de mãe para filho e vice-versa, nos casos de relacionamento dos Babalorixás (Pais no Santo) ou Ialorixás (Mães no Santo) com os Filhos no Santo. A necessidade de saber se aquele que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência de Yemanjá, que não vai deixar morrer dentro de nós o sentido de amor ao próximo, principalmente em se tratando de um filho, filha, pai, mãe, outro parente ou amigo muito querido. É a preocupação e o desejo de ver aquele que amamos a salvo, sem problemas, é a manutenção da harmonia do lar. 

É ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo do seu reino. É ela quem controla as marés, é a praia em ressaca, é a onda do mar, é o maremoto. Protege a vida marinha. Junta-se ao orixá Oxalá complementando-o como o Princípio Gerador Feminino.

terça-feira, 18 de julho de 2017

QUEM SÃO NOSSOS CABOCLOS




São entidades, espíritos de índios brasileiros e Sul Americanos, que trabalham na caridade como verdadeiros conselheiros, nos ensinando a amar ao próximo e à natureza; são entidades que tem como missão principal, o ensinamento da espiritualidade e o encorajamento da fé, pois é através da fé que tudo se consegue.

Usam em seus trabalhos ervas que são passadas para banhos de limpeza e chás para a parte física, ajudam na vida material com trabalhos de magia positiva, que limpam a nossa aura e proporcionam uma energia de força que irá nos auxiliar, para que consigamos o objetivo que desejamos. Não existe trabalhos de magia que possam lhe dar empregos e favores, isso não é verdade; o trabalho que eles desenvolvem é o de encorajar o nosso espírito e prepará-lo para que nós consigamos o nosso objetivo.

A magia praticada pelos caboclos e pretos velhos é sempre positiva, não existe na Umbanda trabalho de magia negativa, ao contrário: a Umbanda trabalha para desfazer a magia negativa. I

Infelizmente, existem vários terreiros que praticam esta magia inferior, mas estes são os magos negros, que para disfarçar o seu verdadeiro propósito, se escondem em terreiros ditos de Umbanda, para que possam atrair as pessoas e desenvolver as suas práticas negativas, com promessas falsas, que sabemos, nunca são atendidas.

Mas, graças a Oxalá, esses terreiros estão acabando pois, o povo está tendo um maior conhecimento e buscando a verdade, e é através desse caminho, de busca da verdade, que esse templo de Umbanda pretende ensinar a todos o verdadeiro caminho da fé.

Os caboclos de Umbanda são entidades simples e através da sua simplicidade, passam credibilidade e confiança a todos que os procuram. Seus pontos riscados, grafia sagrada dos Orixás, traduzem a mais forte magia que existe atualmente, e é através desses pontos que são feitas limpezas e evocações de elementais e Orixás, para diversos fins.

Quando fazemos um trabalho para uma entidade de Umbanda e colocamos algum prato de comida, como por exemplo espigas de milho cozidas com mel, esta comida não é para o Caboclo comer, espíritos não precisam de comida; o alimento que está ali depositado, serve como alimento espiritual, isto é, a energia que emana daquela comida é transmutada e utilizada para o trabalho de magia a favor do consulente; da mesma forma o charuto que a entidade está fumando é usado para limpeza do consulente, através da fumaça e das orações que estas entidades fazem no momento da limpeza. São os chamados passes de Umbanda.

Muitas vezes a Umbanda é criticada e chamada de baixo espiritismo, pois seus guias fumam e bebem, mas essas críticas se devem a uma falta de conhecimento da magia ritual que a Umbanda pratica, desde o início, com tanta maestria e poder, e sempre o fará, para o bem de todos.


CONHECENDO OGUM EM 20 ITENS





01 - Senhor dos metais, das guerras e dos caminhos;


02 -  A ele deve-se pedir proteção para passar por lugares perigosos;


03 - Protetor de todos que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, militares, agricultores, etc.;


04. Patrono da tecnologia, pois é o símbolo da força manual sobre o conhecimento prático;


05 - Sincretizado com São Jorge e Santo Antonio;


06 - Filho mais velho de Iemanjá e irmão de Exu e Oxossi;


07 - É a linha divisória entre razão e emoção;


08 - Ogum é a franqueza, a decisão, a certeza e o fato consumado;


09 - Implacável, destemido, lutador incansável e vingativo;


10 - No entanto, pode ser dócil, amável e muito disciplinado. É a vida em plenitude;


11 - Depois de Exu, é o orixá mais próximo das mazelas e defeitos humanos;


12 - Senhor das demandas, é o guardião dos templos, o que protege as porteiras;


13 - É o que vem primeiro, está sempre à frente;


14 - Exu representa a magia e Ogum, a guerra. É o general sempre disposto ao combate;


15 - Os locais consagrados a ele ficam sempre ao ar livre;


16 - Os instrumentos de Ogum são sete: alavanca, machado, pá, enxada, picareta, faca e espada;


17 - Seu lema é: Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a cólera implacável;


18 - O sangue que corre em nossas veias é regido por Ogum;


19 - Sua cor é a vermelha; seu dia é a terça-feira;


20 - Saudação: Ogunhê meu Pai! Patakori Ogum!