sábado, 15 de julho de 2017

A LINHA DOS CIGANOS



Os Ciganos inicialmente se manifestaram na Umbanda dentro da Linha do Oriente.

Mais tarde, vieram como Linha autônoma e com um campo especializado de atuação, que se volta muito para a magia visando à prosperidade, à união das famílias, ao amor, à cura, à quebra de magias negativas, à superação de preconceitos e de traumas e bloqueios emocionais.

A Linha dos Ciganos tem a Regência dos Orixás Egunitá (que inclusive é sincretizada com Santa Sara Kali, a Padroeira do Povo Cigano), Oyá-Tempo e Yansã.

A Linha traz o arquétipo de um povo muito antigo e místico, de alma livre, desapegado e, por isso mesmo, capaz de atrair a prosperidade no campo espiritual e material e de ensiná-la a quem precise.

Popularmente, às vezes se pensa que os Ciganos eram apegados a jóias e metais preciosos, mas o que ocorre é que esses valores eram de fácil transporte para eles, que eram nômades, e assim procuravam ter meios de subsistência. O desapego e o senso de liberdade aparecem na sua maneira de viver, que é sustentada em suas crenças, tradições e na valorização da família. Nunca se envolveram em disputas por domínio ou conquistas.

Segundo a maioria dos pesquisadores da atualidade, a origem dos Ciganos está na Índia. Ao que tudo indica, de início não eram nômades, mas condições adversas os levaram a peregrinar. Alguns pesquisadores apontam que foram expulsos por invasores muçulmanos, por volta do século X, e daí em diante tornaram-se nômades.

Os Ciganos são grandes conhecedores da magia, alegres, amantes da natureza, muito voltados para a família, serenos e sábios conselheiros. São especialistas em preparar remédios com raízes, folhas, pós e pomadas. São portadores de uma Energia que favorece muito a prosperidade, pois estimula nas pessoas um sentimento de liberdade, de amor e celebração da vida, bem como o desapego, fatores indispensáveis para se atrair a ”boa sorte” e “a fortuna”.

O Povo Cigano traz uma extraordinária bagagem cultural. Por sua natureza nômade, os Ciganos viveram em diversas regiões do mundo, acabando por somar aos próprios conhecimentos aquilo que assimilaram de tantas outras culturas.

Ao longo da história, os Ciganos enfrentaram inúmeros preconceitos, desconfianças e acusações injustas, sendo banidos de muitas regiões do planeta. Eram fechados na sua maneira de viver, no sentido de que falavam um idioma próprio e nunca tiveram uma tradição escrita, tudo é passado oralmente; e, por serem muito místicos, pareciam sempre misteriosos. Muitos foram presos e escravizados; grande número deles foi assassinado na Inquisição e, mais recentemente, pelo nazismo.

Todos os povos têm entre si bons e maus elementos; e com os Ciganos não poderia ser diferente. O que não se pode é julgar todos pelo comportamento da minoria. A causa de tantas perseguições foi a sua cor de pele e a sua mística (seus dons místicos), outro motivo nunca foi provado. Eles sofreram porque eram diferentes; e infelizmente até hoje “ser diferente” incomoda a alguns e gera atos de preconceito e de discriminação abomináveis.

Apesar de tudo isso, os Ciganos souberam preservar sua mística, sua alma livre e suas tradições culturais; inclusive a partir do idioma, o Romani (ou Romanês), até hoje falado pela grande maioria dos Ciganos de todo o mundo. Eles mantiveram sua fé, suas crenças, sua sabedoria, sua magia, seu espírito livre de “cidadãos do mundo”, nunca lutaram por uma terra própria, não se apegaram a pedaço algum de chão. São “viajantes que dormem sob o teto das estrelas; filhos da Terra, da água, do vento, do sol, da lua, da chuva, do dia e da noite; e irmãos de todas as criaturas”, como nos disse um dia uma Entidade Cigana. Existe noção mais bela de vida do que esta: “ser um viajante”? Afinal, estamos aqui de passagem...

Por toda a sua bagagem espiritual e cultural e por sua história de peregrinações e sofrimento, os Ciganos receberam do Astral Superior uma Linha de Trabalho que lhes rende homenagem. Não foram aceitos em alguns lugares, quando encarnados. Mas, ao desencarnar, conquistaram um Grau perante a Espiritualidade; vindo a somar suas forças às das demais Falanges de Trabalhadores da Umbanda, o que nos proporciona o privilégio de entrar em contato com esses espíritos antigos, que muito podem nos auxiliar, como de fato auxiliam, com sua sabedoria de vida.

Trabalham preferencialmente na Vibração da Direita e neste caso não costumam usar a cor preta (em velas, roupas etc.). Aqueles que trabalham na Vibração da Esquerda são os Exus e as Pombagiras Ciganas, Guardiões e Guardiãs a serviço da Luz nas trevas, dentro dos seus campos de atuação, como todo Guardião e Guardiã.

Os Ciganos gostam de música e dança. Suas Giras são envolventes, coloridas pelas suas vestes e, acima de tudo, pela sua energia alegre e amiga.

Usam muitos elementos magísticos, tais como: lenços e fitas coloridas, moedas, punhais, espelhos, taças, chaves, baralho, dados, pedras, runas, leques e incensos. Observam muito as fases da Lua para os seus trabalhos. No geral, a Lua Cheia é considerada a mais favorável, é a “lua madrinha” dos Ciganos.

Cada incenso que usam tem uma finalidade específica. Exemplos:

● Mirra- incenso considerado sagrado. Usado para limpeza, durante e após os rituais, bem como para desfazer magias negativas;

● Sândalo- para estabelecer a sintonia com o Astral;

● Lótus- para paz e tranquilidade;

● Madeira- para abrir os caminhos


● Almíscar- para favorecer os romances;

● Jasmim- para o amor;

● Laranja- para acalmar uma pessoa ou um ambiente.

Campo de Atuação: Atração da prosperidade em todos os sentidos; despertar a consciência, o desapego, o senso de liberdade e de amor pela vida; cura espiritual e física; corte de magias negativas.

Ponto de Força: Espaços abertos, jardins e campos floridos.

Cor: Cores variadas: violeta, azul noite (“royal”), verde, rosa, amarelo, vermelho, branco etc. Os Ciganos que trabalham na Direita não costumam usar a cor preta.

Saudação: Salve a Roda e a Fortuna!

Elementos de Trabalho: Baralho, espelho, punhal, dados, cristais (pedras coloridas), moedas antigas, medalhas, estrelas de seis e de cinco pontas, chave, ferradura, trevo, taça, roda, âncora, fitas e lenços coloridos, instrumentos musicais, leques, folha de sândalo, raiz de violeta, folha de tabaco, tacho de cobre ou de prata, cestas de vime, areia de rio, vinho, perfume.

Conclusão: Por toda a sua história de superação, pela sua extraordinária bagagem espiritual e cultural, damos graças a Deus pelo fato de a Umbanda ser uma religião que acolheu os Espíritos Ciganos, que são nossos conselheiros e orientadores, muito sábios, e amigos fiéis, sempre que os solicitamos com respeito e devoção.


SALVE OS CIGANOS!

SALVE A RODA E A FORTUNA!

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